quinta-feira, 20 de junho de 2019

BONITO: História de beleza e luta

As narrativas históricas nos informam que o território da atual Bonito, cidade localizada a cerca de 136 km do Recife, era, até o fim do século XVIII, coberto por imensas florestas; e que sua área, num período anterior, compreendia parte do célebre Quilombo dos Palmares.

Segundo o registro de Sebastião de Vasconcellos Galvão, no seu Dicionário corográfico, histórico e estatístico de Pernambuco, ao qual tanto recorro, a tradição do seu tempo contava que o motivo de a cidade chamar-se Bonito devia-se ao seguinte fato: alguns habitantes da margem do Rio Ipojuca, principalmente do povoado São José de Bezerros, iam caçar na direção da Serra dos Macacos – nome esse devido a grande quantidade de primatas que existia no lugar -; e num certo dia, descendo os caçadores a serra pelo lado oriental, ao chegarem a sua encosta, se depararam com um pequeno rio de água muito cristalina que, sob o sombrio formado por árvores frondosas, tornava o lugar bastante agradável e pitoresco: 

“Então um dos caçadores, talvez a quem mais encantou o quadro poetico do regato limpido que se deslisava alli, na sombra e em meio do frescor, do perfume e das bellezas, emanadas da propria região, e nascidas do seio da propria natureza, exclamou: que rio bonito!!”. Decorrido algum tempo, no empreendimento de uma nova caçada, um dos membros do grupo perguntou que direção tomariam naquele dia: “para o rio bonito – respondeu outro companheiro. E as caçadas, que se succediam, para esses homens eram o mais bello passatempo, e sempre preferidas para o Bonito, pois que, desde logo, a abreviatura, no modo de fallar, supprimiu o nome rio”. Com o correr dos anos o lugar, que era farto em animais, possuía água em abundância e terras muito apropriadas para plantações, atraiu muitos desses caçadores, que começaram a erguer moradias na localidade, promovendo o seu povoamento.

A fundação de Bonito, ainda segundo Sebastião de Vasconcellos Galvão, ocorreu de 1796 a 1978. Em 1812 foi concluída a construção de uma capela dedicada à Nossa Senhora da Conceição – erguida numa parte elevada do terreno, posteriormente transformada na igreja matriz do município -; e apenas quatro anos depois – certamente impulsionada pela presença da edificação eclesiástica -, a povoação já era consideravelmente grande.

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